Arquivo para Dezembro 16th, 2007

16
Dez
07

Momento mágico

Em uma das visitas da Dª Marta, mãe de Luzinha, ao salão de minha mãe, como de praxe, Luzinha foi junto e dessa vez mais extrovertida do que das outras vezes. Eu não sei o que houve com ela, mas estava muito mais amiga e mais próxima de mim do que os demais dias. Nesse dia pude ter certeza que haveria de acontecer alguma coisa mágica:

- Gê, você tá fazendo o que?

- Nada Luzinha. Só estou vendo minha mãe cortar o cabelo da sua mãe. Por quê?

- Vamos brincar?

- Claro! Você quer brincar de quê?

- Não sei. Você tem bonecos no seu quarto? A gente podia brincar de casinha e os seus bonecos podiam ser nossos filhos.

- Vamos então. É por aqui…

Claro que naquela época eu não tinha malícia nas conotações sexuais que tinham os termos “brincar de casinha”, “brincar de papai e mamãe”, “de médico” e coisas do tipo. Sem pestanejar aceitei o convite de Luzinha e fui correndo arrumar os brinquedos que ficavam jogados no chão. Chegamos ao quarto e perguntei:

- E agora Luzinha, o que a gente pode fazer? Você podia fazer a nossa comida pra jantar.

- É mesmo! Mas a gente não tem fogão nem panelas.

Fui imediatamente pegar umas duas panelas da minha mãe na cozinha e improvisamos um fogãozinho em cima dos travesseiros.

- Agora a gente tem uma cozinha. Você vai fazer a comida e eu vou trabalhar. Quando eu chegar do trabalho, a gente vai jantar, tá bom?

- Tá bom – replicou Luzinha já iniciando suas atividades domésticas.

Eu fui até o salão da minha mãe para ver como estavam as coisas por lá. Elas estavam muito entretidas conversando sobre diversas coisas que eu não fazia idéia, mas que prendia muito a atenção delas. Passaram-se aproximadamente três minutos e eu voltei já incorporado o personagem do “papai”.

- Oi amor, cheguei. O que temos pra nosso jantar? – Perguntei meio que sorrindo, com a timidez ainda tomando conta de minhas atitudes.

- Arroz, feijão e bife, amor – Respondeu Luzinha com um sorriso inocente querendo soltar uma gargalhada.

Apesar da brincadeira, o fato de ela ter me chamado de amor, quase me levou às nuvens. Eu me senti cada vez mais envolto pela brincadeira e perguntei, sentindo meu rosto travesso esquentando e ficando vermelho:

- Você não dá um beijo no marido quando ele chega?

De longe se fazia ouvir a voz de Dª Marta:

- Luzinha, vamos embora.

- Já vou mãe… – Imediatamente respondeu Luzinha – Já está na hora de eu ir Gê!

- Mas e o meu beijo? Se não deu de chegada, tem que ter um de despedida… – Respondi sorrateiro!

Ela olhou dentro dos meus olhos, de repente sua fisionomia mudou. Aproximou-se rapidamente de mim. Neste momento não sentia nada, fiquei totalmente teso, imóvel, meu coração batendo na boca. Minhas pernas tremiam como bambus em um vendaval. De repente, a única coisa que eu lembro, é ter sentido os lábios de uma menina nos meus. Luzinha havia me dado um beijo, um estalinho inocente e em seguida corria pela casa, gritando:

- Estou indo mamãe…

Fiquei absolutamente sem ação. Era a primeira vez que eu sentia o beijo de uma mulher. Mulher é mulher, pode ter sete ou setenta anos. E essa mulher foi a quem apertou a tecla “start” do meu coração fazendo-me entender que a relação homem e mulher tinha algo precioso que transcendia os meus entendimentos da época.

***




 

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Sinopse

Getúlio Moreira, um homem que aos seus 8 anos de idade descobriu o que é se apaixonar. De personalidade tímida e bastante religioso, sua vida é cheia de boas aventuras amorosas e outras nem tão boas assim. Com todas as restrições de sua religião, conviveu em constante introspecção dividindo-se entre fé e paixão.

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