Depois da partida de Luzinha fiquei totalmente desolado. O mundo parecia ter perdido o sentido. Fiquei por vários dias pensando nos momentos que surgiram na nossa vida. Mas o tempo passou, e não há melhor remédio para certas saudades que o tempo, afinal de contas, eu era só uma criança e precisava continuar vivendo. Nos meus mal formados nove anos de idade, eu já tinha consciência de algumas coisas. Umas aprendidas sozinhas e outras ensinadas por meus pais. E uma das coisas que meus pais sempre me ensinaram foi a ser sempre grato a Deus por todas as coisas que aconteciam na minha vida, fossem elas boas ou más.
Assim que eu me entendi por gente, eu já ia à igreja regularmente com minha mãe. Era engraçado! Toda vez que eu ia à igrejaa, ficava olhando aqueles homens tocando violão, guitarra, bateria, instrumentos de sopro. Ficava hipnotizado e às vezes ia lá pra frente para ficar mexendo no instrumento deles. Sempre tive interesse por música, esse dom já nasceu comigo, trago-o de outras vidas, certamente.
Eu sempre fui obrigado a ir à igreja. E apesar de ser obediente aos meus pais, nunca gostei dessa obrigação. Eu sempre queria ficar em casa, fazendo outras coisas, pois achava chato demais ficar lá sentado sem entender absolutamente uma palavra do que o pastor falava e no final sair de lá como se alguma coisa maravilhosa tivesse acontecido. Eu não suportava. E de esperto que eu era, sempre fazia uma chantagem básica. Falava para a minha mãe que eu iria à igreja e me comportaria se, e somente se, ela comprasse duas coxinhas de frango. Eu sempre ganhava. As coxinhas de frango eram bem gorduchas, com bastante óleo. Tinha tanta gordura que aquele papel que o rapaz da lanchonete usava para envolver a coxinha ficava transparente de tanto óleo que era absorvido. Quão saudável eu era! Apesar de tudo, eu sempre estava lá.
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